Infecção urinária de repetição: como reduzir o risco de novas crises

Ter infecção urinária de repetição pode ser desgastante. Além da ardência, urgência para urinar e dor, muitas mulheres acabam entrando em um ciclo de consultas, exames e uso frequente de antibióticos.

De forma geral, considera-se infecção urinária recorrente quando acontecem:

  • 2 ou mais episódios em 6 meses; ou
  • 3 ou mais episódios em 12 meses.

Quando as infecções começam a se repetir, o foco não deve ser apenas tratar cada nova crise. É importante entender quais fatores estão favorecendo a recorrência e trabalhar também com prevenção.

1. Comece pela hidratação

Aumentar a ingestão de água é uma das medidas comportamentais com melhor evidência para reduzir recorrências.

Em mulheres que bebiam pouco líquido, acrescentar aproximadamente 1,5 litro de água por dia reduziu de forma importante o número de episódios de cistite e também a necessidade de antibióticos.

Na prática, quem reconhece que bebe pouca água ao longo do dia pode se beneficiar de um aumento gradual da ingestão.

Uma forma prática de estimar a necessidade diária, quando não há restrição médica de líquidos, é usar aproximadamente:

35 mL de água por quilo de peso corporal ao dia.

Esse cálculo serve apenas como referência e deve ser individualizado em pessoas com doenças renais, cardíacas ou outras condições específicas.

2. Evite segurar a urina por muitas horas

Não é necessário ir ao banheiro por obrigação ou criar horários rígidos.

Mas vale evitar o hábito frequente de adiar a micção por períodos prolongados.

A ideia é simples: sentiu vontade, procure não passar muitas horas segurando.

3. Observe se as infecções aparecem depois das relações sexuais

Em algumas mulheres, existe uma relação muito clara entre atividade sexual e o aparecimento dos sintomas.

Além da própria atividade sexual, o uso de espermicidas também está associado a maior risco de recorrência.

Se existe um padrão de infecção algumas horas ou dias depois da relação, vale contar isso ao ginecologista ou urologista, porque existem estratégias preventivas específicas para esse perfil.

Algumas medidas simples podem fazer parte da rotina:

  • evitar permanecer muitas horas sem urinar após a relação;
  • urinar antes e depois da relação;
  • quando necessário, utilizar lubrificantes vaginais à base de água;
  • evitar espermicidas.

Importante: essas orientações devem ser vistas como parte de um conjunto de cuidados, e não como regras rígidas capazes, sozinhas, de impedir todas as infecções.

4. Higiene íntima: excesso também pode atrapalhar

Infecção urinária recorrente não significa falta de higiene.

Na maioria das vezes, existem fatores anatômicos, hormonais, comportamentais, metabólicos e alterações relacionadas à microbiota intestinal, vaginal e urinária.

Além disso, excesso de higiene pode irritar a região íntima e interferir em seus mecanismos naturais de proteção.

Evite:

  • duchas vaginais;
  • excesso de sabonetes;
  • sabonetes e desodorantes íntimos;
  • produtos perfumados;
  • produtos que provoquem ardência ou irritação.

Após evacuar, a higiene da frente para trás pode ajudar a reduzir o contato da região da uretra com bactérias provenientes do intestino.

5. Dê atenção ao funcionamento intestinal

O intestino é um importante reservatório de bactérias relacionadas às infecções urinárias, especialmente a Escherichia coli (E. coli).

Por isso, constipação persistente, alterações importantes do trânsito intestinal e desequilíbrios da microbiota também merecem atenção.

Alguns fatores podem prejudicar a microbiota intestinal, entre eles:

  • estresse crônico;
  • uso frequente de antibióticos e outros medicamentos;
  • alimentação pobre em fibras e pouco variada;
  • excesso de açúcar e ultraprocessados.

Esse ponto é especialmente importante porque o uso repetido de antibióticos pode alterar tanto a microbiota intestinal quanto a vaginal e ainda favorecer a seleção de bactérias resistentes.

6. E as roupas?

Roupas muito apertadas e pouco ventiladas por longos períodos podem ser revistas, principalmente quando provocam desconforto local.

Podem ser adotadas medidas simples, como priorizar roupas mais confortáveis, evitar longos períodos com peças muito oclusivas e, quando for adequado à rotina da paciente, optar por roupas íntimas de algodão.

O mais importante é não transformar essas orientações em motivo de ansiedade. Prevenção não deve virar uma lista interminável de proibições.

7. Quando é importante investigar melhor?

Infecções recorrentes também podem estar relacionadas a alterações no esvaziamento da bexiga, prolapsos, alterações anatômicas, cálculos urinários ou diabetes mal controlado.

Por isso, dependendo do caso, o urologista ou ginecologista poderá indicar exames como:

  • urocultura durante a crise;
  • ultrassonografia de bexiga e vias urinárias;
  • outros exames urológicos, quando necessários.

E quando mesmo com todos esses cuidados as infecções continuam?

Algumas pacientes melhoram bastante corrigindo fatores de risco e hábitos. Outras continuam apresentando episódios recorrentes.

Nesses casos, pode ser necessário ampliar a estratégia preventiva e avaliar não apenas o trato urinário, mas também fatores que interferem na resposta imunológica.

Uma das possibilidades, em pacientes selecionadas, são estratégias imunoestimulantes.

Entre elas está a imunidade treinada por antígenos (ITA), uma abordagem voltada para estimular e modular a resposta do sistema imunológico diante de antígenos relacionados aos microrganismos envolvidos nas infecções recorrentes.

Essa estratégia não substitui a investigação urológica ou ginecológica nem o tratamento adequado de uma infecção aguda. A proposta é atuar de forma complementar, buscando melhorar a resposta imunológica e reduzir a frequência de novas infecções.

Onde realizar tratamento com imunoestimulantes para infecção do trato urinário?

A investigação inicial da infecção urinária de repetição deve ser feita por urologista e/ou ginecologista, principalmente para excluir causas anatômicas, funcionais, hormonais ou outras alterações do trato urinário.

Na Clínica Super Imunne, a abordagem da Dra. Andréa Rodrigues é complementar e voltada especialmente para a avaliação da resposta imunológica e dos fatores que podem interferir no funcionamento adequado do sistema imune.

Durante a avaliação, também podem ser investigados níveis de vitaminas, minerais e outros nutrientes, além de alimentação, funcionamento intestinal, sono, estresse e estilo de vida.

Quando indicado, o tratamento pode incluir correção de nutrientes, suplementação individualizada, medidas de suporte à imunidade e estratégias imunoestimulantes, como a imunidade treinada por antígenos (ITA), um tipo de vacina para infecções urinárias de repetição.

A proposta é não olhar apenas para a próxima infecção, mas trabalhar para diminuir a frequência com que ela volta.

Dra. Andréa Rodrigues
CRM-SC 24327 | RQE 14743
Otorrinolaringologista em Florianópolis
Infecções de repetição – Rinite alérgica – Imunidade
@andrearodrigues_otorrino

Onde me encontrar:
Clínica Super Imunne Otorrinolaringologia e Saúde
Av. Prefeito Osmar Cunha, 416, sala 402 – Centro – Florianópolis/SC
WhatsApp: (48) 99105-9970

Sobre mim
Dra. Andréa Rodrigues

• Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

• Residência Médica no Hospital Betina Ferro de Souza (UFPA).

• Especialista também pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Membro Titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Pós-graduação em Imunologia Básica e Avançada (faculdade Unyleya)

• Pós-graduação em suplementação pediátrica (Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa)

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