Gripe e dor de ouvido: qual a relação?

Dra. Andréa Rodrigues conversando com uma mãe e seu filho no consultório – Gripe e dor de ouvido: qual a relação?

Minha filha acordou no meio da noite com muita dor de ouvido.

Era madrugada quando a minha filha acordou gritando de dor de ouvido.

Eu já imaginava o motivo. Ela estava gripada, com o nariz congestionado havia dois dias. Para quem é mãe e otorrino, essa cena é bem conhecida: criança com o nariz entupido, deitada, e a dor de ouvido que aparece justo na hora do sono.

Por que a dor de ouvido aparece mais à noite, durante uma gripe?

O nariz, a garganta e o ouvido são ligados por um canal fininho chamado tuba auditiva. Ele equilibra a pressão do ouvido e ajuda a drenar a secreção.

Na criança, esse canal é pequeno e mais horizontalizado. Quando o nariz está inflamado e cheio de secreção, ele incha e entope, e o líquido fica acumulado atrás do tímpano. A pressão sobre a membrana do tímpano é o que faz a dor aparecer, especialmente à noite, quando a criança deita sobre o ouvido comprometido.

A dor foi forte. E agora?

A primeira coisa que fiz foi aliviar a dor com um analgésico adequado para ela. Quem já viu uma criança acordar chorando de dor sabe o quanto isso importa. O próximo passo é procurar avaliação médica para examinar o tímpano e entender o que está causando a dor. Se a dor for intensa, persistir apesar do analgésico ou vier acompanhada de febre alta ou secreção saindo do ouvido, procure atendimento no mesmo dia.

A maioria das otites médias são de origem viral e melhoram sem antibiótico. A decisão depende da idade da criança, da intensidade e da duração dos sintomas e do que o médico encontra no exame. Quando a otite é confirmada e a dor é intensa, por exemplo, o antibiótico pode ser indicado logo na avaliação. Quando é possível observar, a família precisa saber quando reavaliar, especialmente se houver piora ou se a criança não começar a melhorar em 48 a 72 horas.

Primeiro passo: aliviar a dor

Dor se resolve com analgésico, e é isso que vem primeiro. A dose depende do peso da criança e do produto usado. Siga a orientação do pediatra ou a bula.

O segundo passo é levar a criança para avaliação com um médico, assim que for possível. Só o exame do ouvido, a otoscopia, confirma se é mesmo otite média e mostra a gravidade. Nem toda dor de ouvido é otite média.

Enquanto isso, evite colocar gotas, óleos ou receitas caseiras dentro do ouvido, e não use cotonete.

O que eu fiz em casa

Vou contar a minha conduta, como médica e como mãe, para um quadro que eu acompanhei de perto. Não é uma receita para você aplicar sozinha, e nada disso substitui a avaliação médica.

MedidaPor que useiCuidado importante
Analgésico, quando necessárioTratar a dor, que é o que mais incomodaDose pelo peso da criança
Extrato de Pelargonium sidoides, 7 diasApoio imunológico ao quadro respiratórioNão usar sem prescrição médica.
Infludoron (medicamento natural para infecção aguda)Melhora dos sintomas agudosNão usar sem prescrição médica.
Soro em jato fixo com xilitolLimpar o nariz, de onde vem a secreção que chega ao ouvidoPouco volume e baixa pressão. Nunca force o jato
MelConforto para a garganta e a tosseSó para maiores de 1 ano
Muita águaManter a criança hidratadaOferecer em pequenos goles ao longo do dia
Alimentação leve e saudávelRespeitar o apetite menor da fase gripalSem forçar a comer

São medidas de apoio. Ajudam a criança a atravessar o quadro, mas não substituem a avaliação do ouvido.

No quinto dia desde o início dos sintomas, ela já estava quase totalmente bem. No sétimo dia, os sintomas tinham desaparecido. Nesse caso, foi um episódio isolado.

Quando a dor de ouvido começa a voltar a cada resfriado, a avaliação muda.

E quando a otite se repete?

O caso da minha filha foi um episódio isolado. Quando a otite volta muitas vezes, a conversa é outra.

É considerada otite de repetição quando a criança tem 3 ou mais episódios em 6 meses, ou 4 ou mais em 12 meses. Nesses casos, tratar cada crise de forma isolada não basta. Precisamos entender por que o ouvido adoece de novo.

Os fatores que mais pesam:

  • rinite alérgica e nariz sempre congestionado;
  • adenoide aumentada;
  • frequência a creche ou escola;
  • exposição à fumaça de cigarro;
  • falta de aleitamento materno no início da vida;
  • casos de otite na família;
  • em alguns casos, alterações da imunidade.

A investigação costuma incluir o exame completo do ouvido, do nariz e da garganta, a avaliação do nariz e da adenoide, a pesquisa de alergia respiratória e a avaliação da audição. Quando faz sentido, entram também a avaliação da imunidade e de carências nutricionais. A prevenção também é individualizada, de acordo com os achados na avaliação.

Procure atendimento no mesmo dia se a criança tiver:

  • dor muito forte, que não cede ao analgésico;
  • febre alta;
  • pus ou secreção saindo do ouvido;
  • inchaço ou vermelhidão atrás da orelha;
  • vômitos repetidos, sonolência excessiva ou muita prostração;
  • pescoço rígido ou o rosto torto (assimétrico);
  • menos de 6 meses de vida e febre.

Otorrino que atende crianças em Florianópolis

Se seu filho tem dor de ouvido com frequência, já teve várias otites ou parece ouvir menos depois de uma crise, a avaliação otorrinolaringológica ajuda a entender o que está acontecendo e a definir os próximos passos.

Atendo crianças e adultos em Florianópolis, com foco em infecções de repetição, rinite alérgica e imunidade.

Se você mora aqui ou em outra cidade, ou quer começar pela informação, entre no meu canal. Lá eu compartilho materiais gratuitos sobre saúde respiratória e imunidade, do jeitinho que a gente conversa aqui.


Além dos sintomas: cuidado para transformar a sua saúde.

Dra. Andréa Rodrigues
CRM-SC 24327 | RQE 14743
Otorrinolaringologista em Florianópolis
@andrearodrigues_otorrino

Onde me encontrar
Clínica Super Imunne Otorrinolaringologia e Saúde
Av. Prefeito Osmar Cunha, 416, sala 402, Ed. Koerich Empresarial
Centro, Florianópolis/SC
WhatsApp (48) 99105-9970

Referências

  1. American Academy of Pediatrics. Diretriz de prática clínica: diagnóstico e manejo da otite média aguda. Pediatrics, 2013.
  2. Cochrane Database of Systematic Reviews. Antibióticos para otite média aguda em crianças. 2013;1:CD000219.
  3. Direção-Geral da Saúde (Portugal). Norma 007/2012, atualizada em 2014: diagnóstico e tratamento da otite média aguda na idade pediátrica.
  4. Hospital Israelita Albert Einstein. Guia do Episódio de Cuidado: otite média aguda em crianças e adolescentes.
  5. Timmer A et al. Pelargonium sidoides extract for treating acute respiratory tract infections. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013;10:CD006323.

Sobre mim
Dra. Andréa Rodrigues

• Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

• Residência Médica no Hospital Betina Ferro de Souza (UFPA).

• Especialista também pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Membro Titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Pós-graduação em Imunologia Básica e Avançada (faculdade Unyleya)

• Pós-graduação em suplementação pediátrica (Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa)

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