Mounjaro pode melhorar o ronco? Entenda a relação entre emagrecimento e apneia do sono

Recentemente, um paciente me fez uma pergunta no consultório: Mounjaro pode ajudar a parar de roncar?

Ele havia perdido cerca de 40 quilos com o uso do medicamento e contou que, depois do emagrecimento, “magicamente” parou de roncar.

A dúvida dele faz sentido. Com a popularização das canetas para emagrecimento, mais pessoas têm percebido mudanças que vão além do número na balança, incluindo a melhora da respiração durante o sono.

Mas será que o Mounjaro trata o ronco? Ou essa melhora acontece por causa da perda de peso?

Sim, o Mounjaro pode ajudar a reduzir o ronco, principalmente quando o excesso de peso contribui para o problema. Mas essa relação precisa ser bem compreendida: nem todo ronco tem a mesma causa, e parar de fazer barulho não significa necessariamente que a apneia do sono desapareceu.

Por que nós roncamos? Entenda a relação entre excesso de peso e ronco

O ronco acontece quando o ar encontra dificuldade para passar pela região da garganta durante o sono. Ao atravessar um espaço estreito, ele faz os tecidos relaxados vibrarem, produzindo aquele som que, muitas vezes, incomoda mais quem está ao lado.

O excesso de peso é um dos fatores que favorecem esse estreitamento. O acúmulo de gordura ao redor da garganta e na língua pode diminuir o espaço para a passagem do ar e facilitar o fechamento da via aérea enquanto dormimos.

Quando esse fechamento provoca interrupções ou reduções repetidas da respiração, temos a apneia obstrutiva do sono. Portanto, ronco e apneia estão relacionados, mas não são a mesma coisa.

Como o Mounjaro pode melhorar o ronco?

O Mounjaro contém tirzepatida, uma substância que atua em mecanismos envolvidos no controle do apetite e da saciedade, favorecendo a perda de peso.

Quando o paciente emagrece, pode ocorrer uma redução da gordura em regiões que interferem na respiração durante o sono. Com isso:

A passagem do ar pode ficar mais ampla: a redução da gordura ao redor da garganta e na língua pode diminuir o estreitamento.

A garganta pode apresentar menor tendência ao fechamento: isso ajuda a reduzir os episódios de obstrução em pessoas com apneia associada à obesidade.

O ronco pode diminuir: com melhores condições para a passagem do ar, a vibração dos tecidos também pode ser reduzida.

Essa é uma explicação provável para a mudança percebida pelo meu paciente. A perda de cerca de 40 quilos pode ter contribuído bastante para a melhora. Mas o resultado varia conforme as causas do ronco de cada pessoa.

Mounjaro e apneia do sono: o que diz a ciência?

A relação entre tirzepatida, obesidade e apneia do sono foi avaliada nos estudos SURMOUNT-OSA, publicados no New England Journal of Medicine.

Durante 52 semanas, adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave receberam tirzepatida ou placebo. Os participantes tratados com o medicamento apresentaram uma redução significativa do Índice de Apneia e Hipopneia (IAH), que mede quantas vezes a respiração para ou diminui por hora de sono.

Também houve perda de peso e melhora de outros indicadores relacionados ao sono e à saúde. Os benefícios foram observados em participantes que utilizavam ou não tratamento com pressão positiva, como o CPAP.

Esses resultados mostram que o tratamento da obesidade pode ser uma parte importante do cuidado com a apneia. Porém, não significam que o medicamento seja indicado para qualquer pessoa que ronca.

Parei de roncar depois de emagrecer. Minha apneia foi curada?

O desaparecimento do ronco não é suficiente para confirmar que a apneia do sono foi resolvida.

Mesmo após uma perda importante de peso, outros fatores podem continuar comprometendo a respiração, como as características da mandíbula, o tamanho das amígdalas e a anatomia da garganta.

Por isso, quem já tem diagnóstico de apneia precisa de reavaliação médica. Dependendo do caso, será necessário repetir a polissonografia ou outro exame do sono para verificar a resposta ao tratamento.

Se você utiliza CPAP ou aparelho intraoral, não interrompa o uso por conta própria porque emagreceu ou deixou de roncar. A melhora pode permitir ajustes, mas essa decisão precisa considerar a avaliação e os resultados dos exames.

Todo mundo que ronca precisa emagrecer?

Não. Embora o excesso de peso seja um fator importante, pessoas magras também podem roncar e ter apneia do sono.

A dificuldade de respirar pelo nariz, as características da garganta, a posição de dormir e o consumo de álcool próximo ao horário de deitar também podem participar do problema.

Por isso, o tratamento para ronco precisa começar pela investigação das causas. Em alguns casos, o controle do peso será fundamental. Em outros, será necessário cuidar da obstrução nasal ou adotar tratamentos específicos para a apneia.

Mounjaro ajuda a parar de roncar, mas a avaliação faz diferença

O Mounjaro pode contribuir para a melhora do ronco e da apneia em pacientes com obesidade, principalmente pelo emagrecimento. Mas seu uso exige indicação e acompanhamento médico.

Se você ronca frequentemente, acorda cansado, apresenta sonolência durante o dia ou recebe relatos de pausas na respiração enquanto dorme, vale procurar avaliação. Esses sinais podem indicar apneia do sono.

No caso daquele paciente, o que parecia “mágica” provavelmente tinha uma explicação: o emagrecimento estava ajudando sua respiração. O próximo cuidado é verificar como está o sono, porque dormir bem vai muito além de dormir em silêncio.

Onde buscar tratamento para ronco e apneia do sono em Florianópolis?

Se você procura uma otorrinolaringologista em Florianópolis para avaliação de ronco, obstrução nasal ou suspeita de apneia do sono, pode contar comigo. Na Clínica Super Imunne, realizo uma avaliação individualizada para compreender as causas que estão interferindo na sua respiração e orientar o tratamento mais adequado, com um olhar voltado para a saúde respiratória, a prevenção e a qualidade de vida.

Além dos sintomas: cuidado para transformar a sua saúde.

Dra. Andréa Rodrigues
CRM-SC 24327 | RQE 14743
Otorrinolaringologista em Florianópolis
Especialista em saúde respiratória.
Atuação dedicada a infecções de repetição, rinite alérgica e imunidade.

Clínica Super Imunne – Otorrinolaringologia e Saúde
Av. Prefeito Osmar Cunha, 416, sala 402
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Sobre mim
Dra. Andréa Rodrigues

• Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

• Residência Médica no Hospital Betina Ferro de Souza (UFPA).

• Especialista também pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Membro Titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Pós-graduação em Imunologia Básica e Avançada (faculdade Unyleya)

• Pós-graduação em suplementação pediátrica (Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa)

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