MEU TESTE ALÉRGICO DEU MUITO ALTO: E AGORA?

Teste alérgico positivo: como deve ser interpretado os resultados?

Você faz um teste alérgico e aparece lá:

Cão: positivo.

Pronto. Agora é oficial: você é alérgico a cachorro e precisa manter distância de qualquer cão que aparecer pela frente… certo?

Não necessariamente.

Essa é uma das dúvidas mais frequentes quando avaliamos exames de alergia e também uma das principais causas de interpretações equivocadas.

Os testes alérgicos são extremamente úteis para investigar rinite alérgica e outras doenças relacionadas à alergia. Mas existe uma informação importante que precisa ficar clara:

o resultado do exame não deve ser interpretado isoladamente.

O diagnóstico e, principalmente, a decisão sobre o tratamento dependem da combinação entre resultado do teste + sintomas + história clínica do paciente.

O que significa um teste de alergia positivo?

Nos testes utilizados para investigar alergias respiratórias, como o Prick Test realizado na pele ou a pesquisa de IgE específica no sangue, procuramos evidências de sensibilização a determinados alérgenos.

Entre os mais comuns estão:

ácaros da poeira doméstica;

fungos;

cão e gato;

pólens;

baratas;

entre outros.

Quando o exame é positivo, significa que o sistema imunológico reconhece aquela substância e apresenta sensibilização a ela.

Mas aqui entra uma diferença muito importante:

Sensibilização não é exatamente a mesma coisa que doença alérgica.

Para considerarmos que determinado alérgeno realmente está relacionado aos sintomas daquele paciente, precisamos verificar se existe uma correlação clínica.

É justamente por isso que os testes devem ser interpretados em conjunto com a história clínica do paciente e não apenas pelo resultado que aparece no papel.

Um exemplo bem simples

Imagine duas pessoas que fizeram um teste alérgico para cão.

Paciente 1

O teste apresenta uma reação positiva importante para cão.

Mas essa pessoa tem cachorro dentro de casa há anos, convive diariamente com ele e não apresenta:

espirros;

coceira no nariz ou nos olhos;

coriza;

congestão nasal;

tosse ou chiado relacionados ao contato com o animal.

Nesse caso, o exame pode estar mostrando uma sensibilização, mas precisamos ter cautela antes de afirmar que aquele cão está provocando uma doença alérgica ou recomendar medidas mais radicais apenas por causa do resultado do teste.

Não faria sentido, por exemplo, olhar somente para o exame e dizer:

“O teste deu positivo. O cachorro precisa sair de casa.”

Antes disso, precisamos entender se aquela sensibilização realmente tem alguma repercussão clínica para o paciente.

Paciente 2

O teste também é positivo para cão.

Só que esse paciente percebe que, quando entra em uma casa com cachorro ou permanece muito tempo próximo ao animal, começa a apresentar:

espirros em sequência;

coceira no nariz e nos olhos;

coriza;

congestão nasal;

ou até sintomas respiratórios.

Aqui a história muda.

Temos:

teste positivo + exposição compatível + sintomas compatíveis.

Nesse cenário, aquela sensibilização passa a ter muito mais importância clínica.

É justamente por isso que não tratamos um resultado de laboratório. Tratamos o paciente.

Isso também acontece com os testes para alimentos?

Sim. E talvez esse seja um dos exemplos mais importantes para entender por que um exame nunca deve ser interpretado sozinho.

Imagine uma pessoa que realiza uma pesquisa de IgE específica no sangue e apresenta resultado positivo para determinado alimento, como leite ou ovo.

Ao olhar apenas para o resultado, é muito fácil concluir:

“Sou alérgico. Preciso retirar esse alimento da minha dieta.”

Mas não é necessariamente assim.

Se essa pessoa consome o alimento normalmente, há anos, sem apresentar sintomas relacionados à ingestão, um exame positivo isolado não significa automaticamente que exista uma alergia alimentar clinicamente relevante.

Por outro lado, se todas as vezes que ingere determinado alimento apresenta sintomas compatíveis, como urticária, inchaço, vômitos, sintomas respiratórios ou outras manifestações imediatas, aquele resultado passa a ter outro peso dentro da investigação.

Mais uma vez, precisamos juntar as peças:

exame + história da reação + relação com a exposição.

Isso é especialmente importante porque a interpretação inadequada de exames pode levar à retirada desnecessária de alimentos da dieta.

Portanto, encontrar uma IgE específica positiva para determinado alimento não significa, isoladamente, que o paciente precise parar de consumi-lo.

A avaliação deve sempre considerar o contexto clínico e, quando necessário, outros métodos de investigação podem ser utilizados pelo médico para confirmar ou afastar uma alergia alimentar.

Quanto maior a reação no teste, pior é a alergia?

Essa também é uma dúvida muito comum.

No Prick Test, por exemplo, observamos o tamanho da reação formada na pele. Nos exames de sangue, podemos encontrar diferentes concentrações ou classes de IgE específica.

É tentador olhar para aquele resultado e pensar:

“Se deu muito alto, minha alergia é muito grave.”

Mas essa relação não é tão direta.

Um resultado maior pode indicar um maior grau de sensibilização e, dependendo do contexto e do alérgeno, aumentar a probabilidade de aquela sensibilização ter relevância clínica.

Entretanto, o tamanho da reação ou o valor da IgE específica não funciona como uma régua da intensidade dos sintomas.

Uma pessoa pode apresentar um teste bastante positivo e ter poucos ou até nenhum sintoma relacionado àquela exposição.

Outra pode apresentar uma sensibilização menos intensa no exame e sofrer muito mais com congestão nasal, espirros, coceira, sono ruim e crises frequentes.

Por isso, olhar apenas para o número ou para o tamanho da reação pode levar a conclusões erradas.

Então para que serve o teste alérgico?

Serve — e serve muito.

Quando bem indicado e corretamente interpretado, o teste ajuda a montar o verdadeiro mapa das alergias do paciente.

Ele pode contribuir para:

identificar possíveis gatilhos;

diferenciar uma rinite alérgica de outras formas de rinite;

orientar medidas de controle ambiental;

entender por que determinados ambientes pioram os sintomas;

auxiliar na escolha do tratamento;

e selecionar adequadamente pacientes e alérgenos para uma possível imunoterapia específica.

Na rinite alérgica, por exemplo, precisamos estabelecer não apenas a presença de sensibilização, mas também a relação entre essa sensibilização e os sintomas apresentados pelo paciente.

Essa avaliação é especialmente importante quando pensamos em tratamentos direcionados ao alérgeno, como a imunoterapia.

Portanto, o problema não está em fazer o teste.

O problema está em querer que o teste responda sozinho uma pergunta que depende de toda a história clínica.

“Meu teste deu positivo para várias coisas. Sou alérgico a tudo?”

Não necessariamente.

Alguns pacientes apresentam positividade para diversos alérgenos.

Isso recebe o nome de polissensibilização.

Mas, novamente, nem tudo que aparece positivo obrigatoriamente possui a mesma importância na vida daquela pessoa.

Por exemplo, um paciente pode apresentar sensibilização a ácaros, cão e fungos.

Porém, ao conversarmos, percebemos que suas crises acontecem principalmente quando mexe em roupas guardadas, durante a limpeza da casa ou quando permanece em ambientes com muita poeira.

Ao mesmo tempo, ele pode conviver diariamente com um cachorro sem apresentar qualquer piora dos sintomas.

Nesse caso, todos os resultados merecem ser analisados, mas eles não necessariamente terão o mesmo peso clínico.

Cabe ao médico avaliar quais resultados realmente conversam com a história do paciente.

É quase como uma investigação policial:

o exame apresenta os suspeitos. A história clínica ajuda a descobrir quem realmente estava na cena do crime.

E depois do tratamento? O exame precisa ficar negativo?

Aqui está outra questão extremamente importante.

Muitas pessoas acreditam que, se o tratamento estiver funcionando, o próximo teste deverá ficar negativo ou apresentar uma reação cada vez menor.

Mas essa não é a principal maneira de avaliarmos o controle da rinite alérgica.

A melhora do paciente é avaliada principalmente pela evolução clínica.

Queremos saber:

Você está espirrando menos?

Seu nariz está menos congestionado?

A coceira e a coriza diminuíram?

Você está dormindo melhor?

Está respirando melhor pelo nariz?

Está precisando usar menos medicamentos?

As crises estão acontecendo com menor frequência?

Sua alergia está interferindo menos na escola, no trabalho, no exercício físico ou nas atividades do dia a dia?

Essas respostas dizem muito mais sobre o sucesso do tratamento do que simplesmente repetir um teste e comparar o tamanho de uma reação.

E quem faz imunoterapia?

Esse ponto gera ainda mais dúvidas.

A imunoterapia específica para alérgenos atua modificando progressivamente a resposta do sistema imunológico àquilo que provoca a alergia.

Por isso, algumas pessoas imaginam:

“Quando o tratamento funcionar, meu teste vai negativar.”

Não obrigatoriamente.

Podem ocorrer mudanças na resposta imunológica durante o tratamento, mas não precisamos esperar que o Prick Test ou a IgE específica fiquem negativos para considerar que a imunoterapia funcionou.

Na prática, o que mais importa é o benefício clínico.

Por exemplo:

menos sintomas;

menos crises;

menor necessidade de medicamentos;

melhora da qualidade de vida;

maior tolerância à exposição ao alérgeno.

Ou seja: novamente, é o paciente que precisa melhorar — não apenas o papel do exame.

O teste faz parte do quebra-cabeça, mas não é a figura inteira

Gosto de explicar assim aos meus pacientes:

Imagine que estamos montando um quebra-cabeça.

O teste alérgico é uma peça importante.

Mas ainda precisamos encaixar outras:

os sintomas, quando eles aparecem, onde aparecem, quais são os possíveis gatilhos, o exame médico e a evolução ao longo do tratamento.

Quando todas essas peças fazem sentido juntas, conseguimos chegar a um diagnóstico muito mais preciso e, principalmente, escolher um tratamento realmente individualizado.

Em resumo

Um teste alérgico positivo não deve ser interpretado sozinho.

Ele demonstra sensibilização, mas a relevância daquele resultado precisa ser correlacionada com os sintomas e a história clínica.

Isso vale tanto para alérgenos respiratórios, como cão, gato, ácaros e fungos, quanto para a investigação de possíveis alergias alimentares.

Da mesma maneira, um resultado mais alto não significa automaticamente uma alergia mais grave, e a melhora do tratamento não deve ser medida apenas pela redução ou negativação dos testes.

No acompanhamento da rinite alérgica, buscamos algo muito mais importante:

menos sintomas, menos crises, menos necessidade de medicamentos e mais qualidade de vida.

Porque exame é importante.

Mas quem precisa ficar bem é você — não o resultado no papel.

Onde realizar teste alérgico em Florianópolis?

Para quem apresenta sintomas de rinite, como espirros frequentes, coceira nasal, coriza, congestão ou suspeita de alergia respiratória, o teste alérgico pode fazer parte da investigação.

Na Clínica Super Imunne, você pode realizar essa avaliação comigo, Dra. Andréa Rodrigues, otorrinolaringologista em Florianópolis.

Aqui na clínica, realizamos a avaliação otorrinolaringológica associada ao Prick Test, também conhecido como teste cutâneo de alergia. O resultado é sempre interpretado em conjunto com os sintomas, a história clínica e os possíveis gatilhos de cada paciente.

Dessa forma, o exame não é analisado de maneira isolada. O objetivo é identificar quais sensibilizações realmente têm importância clínica e, a partir disso, orientar de forma mais individualizada as medidas de controle ambiental, o tratamento medicamentoso e, quando houver indicação, a imunoterapia para alergias respiratórias.

Dra. Andréa Rodrigues
CRM-SC 24327 | RQE 14743
Otorrinolaringologista em Florianópolis
Infecções de repetição – Rinite alérgica – Imunidade
@andrearodrigues_otorrino

Onde me encontrar:
Clínica Super Imunne Otorrinolaringologia e Saúde
Av. Prefeito Osmar Cunha, 416, sala 402
Ed. Koerich Empresarial – Centro – Florianópolis/SC
WhatsApp: (48) 99105-9970

Sobre mim
Dra. Andréa Rodrigues

• Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

• Residência Médica no Hospital Betina Ferro de Souza (UFPA).

• Especialista também pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Membro Titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Pós-graduação em Imunologia Básica e Avançada (faculdade Unyleya)

• Pós-graduação em suplementação pediátrica (Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa)

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