Medicamentos para “imunidade”: será que eles realmente funcionam?

Era a terceira otite em menos de quatro meses.

A filha, de apenas três anos, já estava cansada — e a mãe também. Ela entrou no consultório com aquele olhar que mistura preocupação, cansaço e uma pontinha de esperança. Quem é mãe reconhece na hora.

Na mão, dois frascos. Um deles era o antibiótico que a filha já estava usando. O outro, ela segurava com mais cuidado, como se ali estivesse uma possível solução. Ao me mostrar, perguntou:

“Me falaram que esse remédio é bom para imunidade… será que ajuda minha filha a parar de ficar doente?”

O nome do medicamento era timomodulina.

E foi a partir dessa pergunta — simples, direta e extremamente comum — me inspirou a escrever este texto.

Vivemos hoje em um cenário em que a busca por “aumentar a imunidade” se tornou quase uma prioridade, especialmente para quem convive com infecções de repetição. Basta uma rápida pesquisa na internet para encontrar uma infinidade de opções: vitaminas, suplementos, compostos naturais e medicamentos que prometem fortalecer o organismo e evitar doenças.

Mas será que faz sentido falar em “aumentar a imunidade”?

O sistema imunológico não funciona como um músculo que podemos simplesmente fortalecer ou aumentar. Ele é um sistema complexo, altamente regulado, que depende de equilíbrio para funcionar bem. Na prática, o que buscamos não é “mais imunidade”, mas sim uma imunidade que responda de forma adequada, no momento certo e na intensidade certa.

Isso significa que, em vez de aumentar, o objetivo é modular, estimular quando necessário e, principalmente, favorecer o funcionamento equilibrado desse sistema. Uma resposta imune desregulada pode ser tão prejudicial quanto uma resposta insuficiente — e isso fica muito claro quando pensamos em doenças autoimunes e alergias respiratórias, por exemplo.

Dito isso, é importante esclarecer: sim, existem estratégias e substâncias com evidência científica que podem contribuir para esse processo de modulação imunológica.

A timomodulina, por exemplo, é uma substância derivada do timo que atua na maturação e regulação dos linfócitos T, células fundamentais na resposta imunológica. Alguns estudos demonstram que seu uso pode estar associado à redução de infecções respiratórias recorrentes, especialmente em crianças.

Outro grupo bastante estudado são os lisados bacterianos, como o OM-85. Eles funcionam como uma espécie de “treinamento” para o sistema imunológico, estimulando tanto a resposta inata quanto a adaptativa. Estudos clínicos mostram redução na frequência de infecções respiratórias em pacientes que utilizam essa estratégia.

As beta-glucanas também entram nesse contexto, com ação principalmente sobre a imunidade inata, ajudando na ativação de células de defesa. Já a quercetina, um flavonoide presente em diversos alimentos, tem sido estudada por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, com potencial papel na modulação da resposta imunológica.

Mais recentemente, temos falado também sobre o conceito de imunidade treinada por antígenos, que mostra que o sistema imune inato pode, de certa forma, “aprender” com exposições prévias e responder de maneira mais eficiente no futuro.

No entanto, é aqui que entra um ponto fundamental — e talvez o mais importante de todo este texto.

O fato de existirem opções eficazes não significa que elas sejam indicadas para todos, nem que devam ser utilizadas de forma indiscriminada.

Cada paciente tem uma história diferente. Cada criança que adoece com frequência pode ter motivos distintos por trás disso. Em muitos casos, estamos lidando com a imaturidade natural do sistema imunológico na infância. Em outros, com alergias respiratórias não controladas, que inflamam continuamente as vias aéreas e facilitam infecções. Há ainda fatores como qualidade do sono, alimentação, exposição ambiental, frequência escolar e até o funcionamento da microbiota intestinal.

Ou seja, antes de pensar em qual “remédio para imunidade” usar, é essencial buscar a causa do desequilíbrio imunológico e atuar ali. A abordagem mais eficaz não está em acumular estratégias, mas em escolher, com critério, aquilo que realmente faz sentido para aquele paciente específico.

Em relação a minha paciente, tão jovem e já com tantas otites, na investigação foi encontrado um aumento exagerado da adenoide (tecido esponjoso que cresce na parte de trás do nariz), o que justificava também o ronco e as respiração oral. Além disso, a paciente apresentava algumas deficiências nutricionais que foram ajustadas. Com tanto uso de antibiótico também foi realizado uma reparação da mucosa intestinal através de suplementos e probióticos.

O tratamento dessas alterações encontradas já foi suficiente para melhora do quadro e desaparecimento das otites, sem necessidade de uso de imunoestimulantes, como a timomodulina.

E sim, a timomodulina é um excelente estimulante do sistema imunológico, que pode ser usado em várias situações, mas se não for feito no momento e na pessoa certa não terá seu efeito esperado.

Porque, no fim das contas, mais importante do que tentar aumentar a imunidade é ajudar o organismo a funcionar da forma como ele foi projetado para funcionar — com equilíbrio, inteligência e adaptação. E isso, quase sempre, começa com uma avaliação cuidadosa e individualizada

Onde encontrar tratamentos para melhora da imunidade em Florianópolis?

Se você busca atendimento para melhora da imunidade em Florianópolis, especialmente em casos de rinite alérgica, otites, sinusites, amigdalites ou infecções respiratórias de repetição, eu, Dra. Andréa Rodrigues, realizo uma avaliação otorrinolaringológica individualizada com olhar voltado para prevenção, saúde respiratória e equilíbrio do sistema imunológico.

O objetivo não é apenas tratar a crise, mas entender por que ela está acontecendo e ajudar o organismo a voltar a funcionar melhor.

Onde encontrar atendimento em Florianópolis:
Dra. Andréa Rodrigues
Otorrinolaringologista com atuação dedicada à saúde respiratória, imunidade e rinite alérgica
CRM-SC 24327 | RQE 14743
Clínica Super Imunne – Otorrinolaringologia e Saúde
Avenida Prefeito Osmar Cunha, 416, sala 402, Centro – Florianópolis/SC
WhatsApp: (48) 99105-9970

Sobre mim
Dra. Andréa Rodrigues

• Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

• Residência Médica no Hospital Betina Ferro de Souza (UFPA).

• Especialista também pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Membro Titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial.

• Pós-graduação em Imunologia Básica e Avançada (faculdade Unyleya)

• Pós-graduação em suplementação pediátrica (Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa)

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